Às 8h30, quanto tempo demora, em média num automóvel, a ir do Nova Arcada à Rua de Santa Margarida? Com 11,3 milhões de euros de investimento e 660 dias de execução (sem desvios), as obras no Nó de Infias vão baixar o tempo de trânsito em quantos minutos?
Vamos deixar de ter veículos permanentemente estacionados nas baías dos autocarros da TUB ou em rotundas (por exemplo, em frente à igreja de Maximinos ou no Largo de Monte de Arcos)? Quantas contraordenações foram emitidas por esses motivos? Quantos minutos e litros de combustível seriam poupados pelos TUB se as baías estivessem sempre desocupadas?
Qual a semana de início das obras de 7,3 milhões de euros no pavilhão Sá Leite?
Quando vamos ter pisos sem crateras nas nossas ruas?
O concelho de Braga está a crescer demograficamente. Mas… o novo PDM suporta um crescimento até 250.000 ou 1.000.000 de habitantes? Onde vão ser criadas habitações, centros de saúde e escolas?
Não obstante a retórica inconsequente e o otimismo aparente que o executivo municipal tem procurado demonstrar, a realidade permanece inalterada. Para os bracarenses, a propaganda não substitui a necessidade de respostas factuais. O que se exige, longe do marketing político, são esclarecimentos simples, concretos e transparentes sobre o futuro do concelho. Uma gestão equilibrada e serena do município, que penso ser o que todas as forças políticas desejam, tem como pilares fundamentais dados factuais e estimativas elaboradas seguindo as melhores práticas.
Todos temos notado que nos últimos anos, em Braga, há uma natureza quântica na esfera municipal: os projetos ainda não começaram, mas paira a ideia de estarem em curso; não se sabe quando começam, mas a data de conclusão pode já estar ultrapassada; o Santo Graal da mobilidade em Braga é uma linha de BRT de Maximinos a Gualtar, que num passe de mágica é uma variante urbana de Dume a Ferreiros mais um BRT de Guimarães para Gondizalves e que, quando efetivamente for concretizado, ainda acaba num wormhole entre a Arcada e o Bom Jesus.
Como não vivemos no mundo subatómico, e ainda não existe uma Teoria do Tudo, precisamos de determinismo e transparência na gestão do município. Há que planear, executar, avaliar e agir com dados concretos e estimativas bem feitas revelados antes, durante e depois da execução dos projetos estruturantes do concelho. E se por imponderáveis houver falhas, melhora-se, reprograma-se e volta-se à execução. Não espero que todos os projetos corram sem percalços. Espero é que haja uma gestão factual, capaz, profissional, e transparente com foco na eficiência durante o planeamento e a execução e, principalmente, com foco na eficácia e nos impactos que, após a sua conclusão, os projetos têm na vida dos bracarenses.
Não me importo tanto se as obras no Nó de Infias vão demorar 640 ou 680 dias. Importo-me muito mais se o tempo de travessia vai diminuir um ou 20 minutos. Também não me importo tanto se a requalificação do pavilhão Sá Leite começa hoje ou daqui a um mês, pois as obras já estão prometidas há mais de uma década. Importo-me muito mais quando os ratos que passeiam no campo de jogo (sim é verdade, e aconteceu mais uma vez esta semana) e as pingas de chuva do telhado furado vão ser eliminados. Estes são os problemas concretos nos quais a gestão camarária se deveria focar, gerir, e trabalhar em conjunto com todas as forças políticas municipais.
A ilusão da “cidade perfeita”, onde (nas palavras dos seus responsáveis) até o novo PDM não tem nenhum defeito, embate na crueza das interrogações diárias dos munícipes. Entre o fogo de artifício verbal e a gestão do quotidiano, os bracarenses continuam à espera de respostas que, de tão simples e concretas, o executivo municipal parece ter dificuldade em articular.