Braga 2026: O que precisamos fazer bem, agora

Braga não precisa de mais slogans. Precisa de decisões claras, executáveis e responsáveis. Ao pensarmos no que desejamos para Braga em 2026, devemos fazê-lo, não como um exercício de intenções vagas, mas como um compromisso com escolhas concretas, sustentadas e avaliáveis. O crescimento da cidade é visível, mas o verdadeiro desafio é transformar esse crescimento em qualidade de vida para todos.

Uma cidade moderna começa na forma como é governada. Precisamos de uma governação transparente, responsável e orientada para resultados. O planeamento estratégico tem de assentar em metas claras, mensuráveis e publicamente acompanhadas. A transparência não pode limitar-se ao cumprimento formal da lei, devendo traduzir se numa prestação de contas efetiva sobre contratos, concessões e decisões estruturantes, em particular no urbanismo. Avaliar o impacto real das políticas públicas deve ser regra e não exceção, sobretudo em áreas que afetam diretamente o quotidiano das pessoas. A boa governação não é uma questão ideológica, é uma obrigação ética e uma forma básica de respeitar os cidadãos.

A mobilidade continua a ser um dos principais testes à organização da cidade. Braga mantém uma dependência excessiva do automóvel e respostas fragmentadas que não resolvem o problema de fundo. Em 2026, não podemos continuar a aceitar transportes públicos pouco fiáveis, falta de articulação entre freguesias e centro urbano e medidas avulsas sem visão integrada. Precisamos de uma rede de transportes eficiente, com horários previsíveis e integração real entre diferentes modos de deslocação. É, pois, necessário planeamento urbano inteligente que reduza deslocações desnecessárias e aproxime serviços das pessoas.

A habitação é talvez o maior desafio social da próxima década. Uma cidade que cresce mas exclui não é uma cidade sustentável. Não podemos aceitar que os jovens trabalhem em Braga mas não consigam viver em Braga, nem que famílias sejam empurradas para fora do concelho por falta de alternativas. Em 2026, devemos ter políticas municipais de habitação com critérios claros, fiscalização efetiva e uma aposta séria na reabilitação urbana orientada para residência permanente.

A economia local deve ser valorizada com coerência entre discurso e prática. Braga tem talento, conhecimento e empresários resilientes, mas continua a precisar de um ambiente regulatório simples, previsível e justo. É essencial apoiar quem cria emprego real e sustentável, em especial as pequenas e médias empresas, e não apenas projetos mediáticos de curto prazo. A atração de investimento deve estar alinhada com emprego qualificado, respeito pelo território e equilíbrio social. Crescimento económico sem justiça territorial gera desigualdade e fragiliza a cidade no médio prazo.

A proximidade entre instituições e cidadãos é outro eixo fundamental. A participação cívica não pode resumir-se a processos formais sem impacto real. Precisamos de mecanismos de participação que influenciem decisões concretas, de uma valorização efetiva das freguesias e de uma administração municipal mais ágil, mais próxima e mais humana. A confiança constrói-se quando as pessoas são ouvidas e quando veem resultados no seu dia a dia.

Para Braga, em 2026, devemos desejar algo exigente, mas alcançável. Uma cidade bem gerida, socialmente equilibrada e institucionalmente íntegra. Menos promessas e mais rigor. Menos retórica e mais execução. O futuro de Braga não se anuncia. Constrói- se, decisão a decisão.

Scroll to Top