Ser oposição em Braga, hoje, é aceitar ser incómoda. É recusar o papel decorativo que alguns gostariam de reservar a quem não integra a maioria. É enfrentar uma narrativa que tenta reduzir o escrutínio democrático a ruído político e a crítica fundamentada a “bloqueio”. Essa narrativa não é ingénua nem neutra: serve para desvalorizar a oposição e para normalizar decisões tomadas sem confronto sério de ideias.
A oposição não existe para facilitar o caminho de quem governa, mas para o questionar. Existe para fiscalizar o poder, exigir explicações, expor fragilidades e apresentar alternativas. Quando isso incomoda, o problema não está na oposição, mas na forma como o poder reage à crítica. Uma democracia madura não teme o contraditório; precisa dele.
Em Braga, demasiadas vezes, o debate político é tratado como um incómodo a gerir e não como um dever democrático a cumprir. Questionar opções, pedir fundamentação, exigir transparência ou recusar decisões pouco claras é rapidamente rotulado como atitude negativa ou obstrutiva. Esta lógica é perigosa, porque transforma a maioria em dona da verdade e a oposição num problema a contornar.
O verdadeiro bloqueio não está na discordância, mas na tentativa de a silenciar. Está na pressa em decidir sem escrutínio, na resistência ao debate público e na desvalorização sistemática de quem pensa de forma diferente. Governar não é mandar; governar é prestar contas. E prestar contas implica aceitar críticas, mesmo quando são incómodas.
Convém lembrar que o direito de oposição não depende da boa vontade da maioria. É um direito legalmente protegido, que garante às forças de oposição acesso à informação, capacidade de intervenção e respeito institucional. Tratar a oposição como um entrave não fragiliza quem critica; fragiliza a democracia local e empobrece as decisões políticas.
A presença de movimento independente na Câmara Municipal de Braga, na Assembleia Municipal de Braga e em algumas Freguesias, é um sinal claro de que muitos bracarenses querem uma política menos complacente e mais exigente. Querem quem não responda a diretivas partidárias nem a estratégias de conveniência. Querem quem responda a cidadãos que exigem mais transparência, mais rigor e menos política de fachada.
A oposição responsável não aplaude por rotina nem cala por cálculo. Apoia o que é positivo para Braga, mas confronta o que considera errado, mal explicado ou lesivo do interesse público. Ser firme não é ser radical; é recusar a normalização da mediocridade política e da falta de prestação de contas.
Braga não precisa de uma oposição submissa nem ornamental. Precisa de uma oposição que incomode, que faça perguntas difíceis e que se recuse a legitimar decisões mal explicadas ou politicamente frágeis. Sempre que o poder tenta desvalorizar o escrutínio, revela mais sobre a sua insegurança do que sobre a oposição.
A democracia local enfraquece quando a crítica é tratada como ameaça e o debate como obstáculo. Fortalece-se quando quem governa aceita ser questionado e quando quem está na oposição não abdica do seu papel. A maioria governa, mas não manda calar.
Ser oposição não é um capricho político nem um gesto de protesto permanente. É um dever democrático. E enquanto houver decisões tomadas sem transparência, escolhas feitas sem debate e tentativas de silenciar a discordância, a oposição continuará a cumprir esse dever, com firmeza, independência e sem pedir licença.