O MUZEU e o novo Renascimento bracarense

Braga sempre foi uma cidade de camadas. Sob o barroco das suas igrejas, pulsa uma herança romana.  Sob o granito das suas ruas, jazem artefactos suevos e visigodos.

A inauguração do MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea, no antigo edifício do Tribunal, não é, todavia, apenas a adição de mais uma camada. É um “murro na mesa” intelectual que redefine o que significa ser uma cidade dinâmica no século XXI.

A ação da dstgroup transcende a mera responsabilidade social corporativa. Se olharmos para a história da arte, a relação da DST com Braga assemelha-se à dos Médicis com a Florença do século XV. Tal como a família florentina percebeu que o poder económico só se torna imortal quando transmutado em beleza e conhecimento, o grupo liderado por José Teixeira parece ter compreendido que uma empresa de engenharia e construção não edifica apenas prédios, edifica a “polis”.

Ao levar arte para o centro da cidade, a DST não está a oferecer “decoração” aos bracarenses, está a oferecer-lhes o fio de Ariadne para saírem do labirinto do quotidiano e entrarem no domínio da reflexão.

Muitas vezes, mede-se a importância da DST para o concelho pelo número de postos de trabalho ou pelo volume de faturação. É uma visão redutora. A verdadeira importância reside no contágio cultural. Ao investir no MUZEU, no Prémio de Literatura e no apoio ao Theatro Circo, a empresa cria um ecossistema onde o talento quer ficar. O dinamismo cultural atrai turismo de qualidade, fixa quadros especializados e, acima de tudo, eleva a autoestima de uma população que deixa de olhar apenas para o passado religioso da cidade para se ver ao espelho de uma modernidade cosmopolita.

O MUZEU é, portanto, mais do que uma galeria. É o símbolo de que Braga já não se contenta em ser a “Roma Portuguesa”. Graças a este impulso privado que entende o valor do público, Braga está a tornar-se uma cidade onde o betão tem alma e onde o pensamento tem, finalmente, uma casa aberta a todos.

Scroll to Top