Num país ideal, deveria estar a ser discutida e implementada de forma mais abrangente, a mobilidade colectiva de funcionamento eléctrico e em canal próprio, mas, a realidade, infelizmente, ainda passa pela mobilidade individual em automóvel, na maior parte dos casos, por falta de opções em transportes públicos.
Assim, em 2025, os bracarenses e a grande maioria dos minhotos, foram chamados a participar no pagamento da conta de cerca de 200 milhões de euros, referente à abolição das portagens nas autoestradas A4, A13, A22, A23, A24, A25 e troços da A28, mas sem que esta medida, aprovada no Orçamento de Estado (OE), os beneficie directamente.
Em 2026, o custo poderá aumentar para cerca de 300 milhões de euros, com a abolição de mais portagens no sul do país, desta feita, em troços da A2, A6 e a totalidade da A25, bem como a suspensão de cobrança de portagens para veículos pesados em troços da A8 e A19.
Portanto, sem que, e novamente, a larga maioria dos minhotos possa usufruir de tal benefício, mesmo que tenha de o pagar.
Apesar desta política ser ideologicamente discutível, na óptica do utilizador-pagador, foram o PS e o Chega, os responsáveis por esta decisão, que tem como fundamento, a redução dos custos de circulação das populações dos territórios de baixa densidade.
Ora, não são assim tão poucos os concelhos do Minho que também são considerados territórios de baixa densidade, mas que não dispõem de auto-estradas, nem de “borlas” em troços que atravessam o seu concelho, sendo exemplos dessa situação: Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Vila Verde, Arcos de Valdevez, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca e Vila Nova de Cerveira.
Outros concelhos têm algumas das suas freguesias consideradas também como territórios de baixa densidade, tais como, Amares, Guimarães, Valença, Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima, embora, estes três últimos municípios do Alto Minho, e como excepção à regra, beneficiem da gratuitidade da A27 e A28.
Contudo, dada a ausência de auto-estradas, acessos ou o custo das portagens – este último como factor a merecer reflexão – faz com que demasiados automobilistas, diariamente, e provenientes desses concelhos de baixa densidade, que têm de se dirigir a Braga ou atravessar o seu concelho, não disponham de reais alternativas às auto-estradas, a não ser as entupidas estradas nacionais e vias que atravessam o centro urbano da cidade de Braga.
O OE 2026 também não contempla qualquer verba para a conclusão do troço da Circular Externa de Braga (CER), entre Frossos e Ferreiros, por forma a desviar uma parte significativa do trânsito que atravessa o concelho de Braga.
Esta que foi a principal bandeira eleitoral da coligação Juntos por Braga, nas recentes eleições autárquicas, alegando o enorme volume de trânsito proveniente da região a norte do concelho, apresentando, também, a “garantia” do Ministério das Infraestruturas, de que a obra iria avante.
Contudo, e paradoxalmente, deputados do PSD os houve, que apareceram em notícias locais, a manifestar o seu empenho em obter financiamento do Governo para a CER, e, na hora da verdade, votaram contra esse financiamento. Mais ainda, no próximo ano, também o Porto irá beneficiar com a isenção de portagens a veículos pesados na A41, por forma a descongestionar a VCI, quando Braga tem necessidade de idêntico tratamento.
Apesar do actual presidente da CM Braga afirmar que irá pugnar junto do Governo, da sua cor política, por maior investimento do Estado Central em Braga e sua região, certo, é que neste primeiro “round” em sede de OE, não reivindicou por um plano alternativo de mobilidade rodoviária, que pudesse, por exemplo, incluir a abolição de portagens na A3 a residentes, empresas locais e veículos pesados, no troço compreendido entre Ponte de Lima e Braga Sul, até que a CER esteja concluída ou que exista maior oferta de mobilidade colectiva sobre carris.
Até lá, os bracarenses e a grande maioria dos minhotos, irão continuar a “pagar o bilhete, mas sem direito ao espectáculo”, pois, salvo raras e honrosas excepções na história do poder local, os políticos com responsabilidade governativa em Braga, “não souberam pedir” ou exigir o que é de direito, para a população do seu concelho e para outras da região da qual é a Cidade Primaz é epicentro.
• Título de crónica do cidadão António de Azevedo, na edição do Correio do Minho de 7 de Julho de 1930, insatisfeito com o tratamento dado pelo Estado aos cidadãos baixo-minhotos.
Sem políticos firmes na defesa de quem os elege, a história parece condenada a repetir-se.