O dia 1 de Abril é, entre nós, conhecido comoo “Dia das Mentiras”, um dia de celebração da mentira, do engodo, da trapaça.
NĂŁo parece existir um acordo sobre as origens desta celebração. Para alguns terá origem numa mudança de calendário de Juliano para Gregoriano; para outros terá brotado das celebrações da Primavera, mas há um ponto comum em todas estas possĂveis origens da tradição: expor os inconvenientes da ingenuidade humana e a necessidade de aceitar, repudiar e contrariar a mentira inerente ao comportamento impulsivo e perversivo do ser humano.
A ciĂŞncia, nas suas diferentes disciplinas e abordagens, aponta para uma evidĂŞncia: os mentirosos existem em muitas espĂ©cies e Ă©, aĂ, um recurso táctico de sobrevivĂŞncia. A mentira Ă©, nesta perspectiva, um meio amoral na luta pela sobrevivĂŞncia individual em detrimento do interesse comum.
A natureza humana também está equipada com este recurso. A mentira é uma ferramenta que todos usamos para disfarçar as nossas limitações, para contornar as regras do jogo social, para conquistar parceiros, para obter vantagens indevidas na luta pelo sucesso e bem-estar individual ou da nossa pequena tribo.
Ă€ mentira opomos a verdade e a verdade Ă© o instrumento privilegiado para ler a realidade. A realidade humana Ă© incontornavelmente grupal e social. Semos outros a sobrevivĂŞncia da espĂ©cie e do indivĂduo Ă© improvável. Por isso a mentira deve serrepudiada e contrariada quer noconfessionário (somos as primeiras vĂtimas das nossas mentiras) quer nos tribunais, quernas cadeiras do poder.
Umas notĂcias falsas, umas publicidades enganosas, uns rumores, umas maledicĂŞncias viperinas, umas acusações infundadas, umas promessas fantasiosas, todos estes meios de interacção com o outro ou com o grupo, distorcem a verdade e facilitam o erro assim comprometendo o sucesso das nossas decisões.
Encarar e aceitar a existência da mentira como ferramenta à disposição da sobrevivência individual e colectiva não é, não pode ser, um livre-trânsito parao seu uso!
A mentira, pura ou numa das suas variantes, é sempre um entorse à verdade e, por isso, à realidade e, a realidade, quer queiramos, quer não queiramos, impõe-se-nos sempre.
O que fazer?
Reconhecer a existência da mentira, conhecer-lhe as vantagens e desvantagens e impor limites, definir consequências para quem usa e abusa desta lâmina de dois gumes.
A mentira na polĂtica Ă© uma evidĂŞncia para todos nĂłs e tem consequĂŞncias demolidoras para a vida em sociedade e para o futuro da nossa comunidade.
Hoje sĂŁo cada vez menos os cidadĂŁos que confiam nos polĂticos, nas instituições polĂticas e, consequentemente, recusam exercer o direito ao voto e Ă participação na definição do bem comum.
Mas esta constatação nĂŁo Ă© uma fatalidade e muito menos uma realidade imutável! Ora atente-se ao que aconteceu e acontece em Braga. Os eleitores bracarenses, face Ă s evidĂŞncias resultantes dos excessos de tolerância Ă mentira, ao engano, Ă trapaça dos polĂticos op-
tam pela alternativa que corrige estes excessos abusivos e prejudiciais ao bem comum.
Em Braga o sobressalto cĂvico contestatário da mentira, do engodo e da trapaça está a aprofundar-se!
Em Braga o repĂşdio da mentira na polĂtica começou pela mĂŁo dos eleitores na freguesia de SĂŁo Victor e, desde Outubro, alastra a todo o nosso concelho.
As escolhas dos eleitores pela verdade, contra a mentira, o engodo, a trapaça; ganharam expressĂŁo significativa na assembleia e no executivo e já estĂŁo a produzir efeitos positivos e a estabelecer um novo paradigma de boa governação fundada na inegociável e incondicional submissĂŁo do serviço pĂşblico ao interesse e bem comum dos bracarenses. Em Braga, com o “Amar e Servir Braga” estamos no bom caminho para recuperar a confiança na polĂtica e nos polĂticos. Estamos a alterar o paradigma de como deve ser cuidado um concelho que quer um futuro melhor para todos os que nele habitam.