A urgência da padronização para o espaço público em Braga

Quem conhece Braga e a compara com outras referências urbanas nota, de forma evidente, uma profunda falta de uniformidade estética. Cada rua parece recorrer a soluções e materiais que ignoram por completo as artérias adjacentes. Falamos das placas toponímicas, dos materiais dos passeios, do mobiliário urbano (candeeiros, bancos, pilaretes) e até da presença (ou ausência) de árvores.

Em Braga, deparamo-nos com um verdadeiro patchwork urbanístico. A falta de um fio condutor na imagem e na funcionalidade das ruas transforma a experiência de habitar e visitar o nosso concelho num exercício de constante improviso. Numa única artéria, o peão calca cimento, tropeça em calçada portuguesa desgastada, contorna cubos de granito e depara-se com remendos de asfalto. Esta manta de retalhos sob os nossos pés prejudica a harmonia visual e, de forma muito mais grave, compromete a mobilidade inclusiva de idosos, carrinhos de bebé e cidadãos em cadeiras de rodas.

Que fique claro: não se preconiza aqui a monotonia ou um concelho cinzento e clonado. A riqueza histórica e a diversidade cultural de Braga devem ser preservadas, mas a anarquia infraestrutural não pode continuar a ser confundida com identidade.

As placas de identificação das ruas deviam ser a assinatura identitária de um território. Contudo, em Braga, coabitam lápides de mármore com painéis metálicos azuis, verdes ou vermelhos; isto quando a sinalética simplesmente não existe, deixando cidadãos e turistas desorientados. Cidades como Paris ou, mais perto de nós, Matosinhos, perceberam há muito que a uniformização destas placas confere marca e legibilidade ao território.

O mesmo acontece com a segurança rodoviária e pedonal. As passadeiras em Braga mudam de critério de cruzamento para cruzamento. Um dos aspetos mais incompreensíveis reside na existência de cruzamentos truncados, dotados de apenas três passadeiras, que obrigam o peão a voltas absurdas para atravessar uma rua. A isto somam-se artérias com árvores e sombras generosas versus autênticos desertos de betão, sem esquecer a crónica ausência de marcação nos lugares de estacionamento à superfície, um vazio regulamentar que gera o caos no ordenamento automóvel quotidiano.

A padronização no design urbano não serve para asfixiar a cultura; serve para garantir que as soluções funcionam. Um padrão representa uma resposta testada, segura e eficaz para um problema conhecido. Se uma passadeira e a respetiva elevação seguirem sempre a mesma matriz técnica e visual, o concelho torna-se previsível, intuitivo e seguro para todos. Além disso, se os materiais dos pavimentos forem tipificados de acordo com a tipologia da zona (histórica, residencial ou comercial), a gestão e a manutenção logística tornam-se substancialmente mais baratas, rápidas e eficientes para o município.

Braga precisa de uma visão de futuro orientada para o planeamento, e não de intervenções reativas a cada buraco que surge na estrada.

O nosso concelho necessita, urgentemente, de um Manual de Desenho do Espaço Público (ou de uma Carta de Uniformização Urbana). Trata-se de um documento orientador e vinculativo que dite as regras para qualquer nova obra, loteamento ou reabilitação: que materiais aplicar, como sinalizar as ruas, de que forma integrar a natureza e como desenhar a mobilidade com dignidade. Só quando Braga definir um padrão claro para o seu chão e para os seus elementos urbanos é que poderá ambicionar ser, plenamente, uma cidade europeia de vanguarda. Nessa altura, o planeamento sobrepor-se-á, finalmente, ao improviso.

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