O Plano de Actividades do Município de Braga para 2026, no que à Cultura diz respeito, passa pelo reforço da identidade cultural do São João de Braga, com a valorização das tradições, dos rituais e expressões, daquela que é considerada a mais antiga festividade popular do país. Tão antiga que até se confunde com a fundação da nacionalidade. Na passada semana, uma resolução do Conselho de Ministros determinou a realização das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, a ter lugar a partir de 24 de junho de 2026, com a criação do Comissariado Nacional que ficará sediado no Paço dos Duques em Guimarães.
Segundo essa resolução, pretende-se promover o conhecimento histórico, o reforço da identidade nacional e da consciência cívica para a promoção dos valores fundadores do Estado Português. Ora, Braga, não se pode colocar à margem da sua longuíssima História que deu origem a Portugal, pois, se do outro lado da Falperra houve a Primeira Tarde Portuguesa, foi deste lado que nasceu a Primeira Madrugada Portuguesa. Braga e o seu Arcebispo, D. Paio Mendes, acolheram o infante D. Afonso Henriques, após o cerco do castelo de Guimarães, no ano anterior, em 1127, que poderia ter sido fatal às superiores ambições políticas das elites bracarenses e portucalenses. Apesar de, nesse tempo, o Arcebispo de Braga, D. Paio Mendes, ter sido a principal figura dos senhores da terra revoltosos, que sentaram o jovem Afonso Henriques na cadeira de poder, foi o seu sucessor, D. João Peculiar, que conferiu carácter de trono real a essa cadeira, em função da sua acção diplomata junto do Papa em Roma.
No que ao Arcebispo D. João Peculiar diz respeito, reivindica-se a recuperação para o espaço público, de preferência para o largo com o seu nome, adjacente ao alçado norte da Sé Catedral, a estátua que outrora esteve colocada no Largo de São Paulo, mas que há sensivelmente uma década foi retirada, por, alegadamente, ferir suscetibilidades. Caso a estátua seja pertença de privados, será necessário tornar a envolver os mesmos, numa nova monumentalização do espaço público. Após a colocação da estátua de tão notável personagem da História de Braga e de Portugal no seu devido lugar, o Município de Braga terá o tempo a contar a seu desfavor, por forma a delinear uma estratégia, seja ou não articulada com a do vizinho concelho de Guimarães, por forma a assinalar tão importante efeméride, que, em alguns sectores da sociedade, se defende que deveria culminar num novo feriado nacional.Ora, foi na madrugada do São João de Braga de 1128, e citando o historiador António Pinheiro Chagas, “que a revolta rebentou com mais fúria, e o infante, rodeado em Braga pela sua tumultuosa nobreza, proclamava a intenção de tomar as rédeas do Governo e marchava sobre Guimarães onde estava D. Teresa (sua mãe) e o seu companheiro, o odiado Conde de Trava”. Plano delineado em Braga, e devidamente atestado pelo Documento Fundador da Nacionalidade datado de 27 de Maio de 1128 em que Afonso Henriques se subordina ao Arcebispo de Braga, D. Paio Mendes.
Na sessão ordinária da Assembleia Municipal de Braga, realizada a 28 de Fevereiro de 2026, e enquanto Deputado pelo Grupo Amar e Servir Braga, fiz a recomendação de um evento a incorporar nas Grandiosas Festas do São João de Braga, quiçá, num quadro do Cortejo Histórico ou mesmo merecedora de uma recriação histórica, para salvaguarda da memória e posição de charneira no dealbar da nacionalidade da Capital Histórica do Noroeste Peninsular, Braga!