Em Braga atropela-se a cada três dias. Até quando?

Em Braga temos um grave problema de sinistralidade. E esse grave problema está sobretudo associado às velocidades que se praticam nas nossas principais avenidas urbanas. Isto é um facto que os números oficiais demonstram há já vários anos.

Todos os anos vamos acumulando sinistros, de entre os quais atropelamentos. Em média, ano após ano, temos um atropelamento a cada três dias em Braga. Mais grave é os dados nos demonstrarem que 85% dos atropelamentos acontecem dentro dos limites da cidade e a maior parte destes (68%) são em passadeiras.

Quando se fala em atropelamentos nas passadeiras muitas teorias se levantam, sendo que todas elas caem por terra com a realidade e com os dados oficiais. Muitos destes atropelamentos acontecem ou porque a velocidade praticada não está adequada ao tipo de via onde eles se dão, ou porque há velocidade acima dos limites legais previstos para aquelas avenidas.

Aqui o Município pode lavar as mãos como Pôncio Pilates, dizer que são azares que acontecem e que a responsabilidade é dos condutores. Ou até das vítimas. No entanto, o Município tem o dever de cuidado e deve garantir que a infraestrutura viária está adequada para todos, sobretudo para os peões. 

Quando se adequa a infraestrutura para os peões, sobretudo para as pessoas com mobilidade reduzia, adequa-se para todos os utilizadores da via. A forma como um território trata os seus peões diz muito sobre a estratégia que esse território tem para a mobilidade. Ou a falta dela.

Mas então como é que conseguimos reduzir a sinistralidade? Como conseguimos ter zero atropelamentos?

Digo zero porque é o único número aceitável nesta matéria. Um território não deve aceitar nem um único atropelamento. Tudo deve ser feito para o evitar. E aqui podemos começar com algumas pequenas ações.

Um dos principais problemas, de acordo com os dados da sinistralidade, está identificado: A velocidade.

Sabe o Município que velocidades são praticadas, diariamente, nas principais Avenidas de Braga? Não sabe. E não sabe porque os sensores dos “smiles” não estão a monitorizar as velocidades e, com excepção da Avenida da Liberdade, não tem sensores de monitorização das velocidades. É preciso sensorizar todas as Avenidas de Braga para termos dados diários e reais.

Há várias soluções para resolver esta questão. Dizem todos os manuais e todos os bons exemplos de redução de sinistralidade, que quando estes problemas são nas passadeiras, eles praticamente ficam resolvidos com a sobrelevação das mesmas, ou seja, o passeio e a passadeira andam sempre à mesma cota, e a estrada sobe.

Ao mesmo tempo há a colocação de semáforos, para garantir o cumprimento das velocidades legais dentro das localidades, sobretudo nas avenidas: inferiores aos 50 km/h. Em algumas situações os territórios optam por, também, colocar radares de velocidade.

Em Zurich, por exemplo, há 70 radares, incluindo os que monitorizam as zonas de 20 km/h. Não é por acaso que a Suiça é conhecida por se cumprirem os limites de velocidade. Quem cumpre, não teme a existência de radares. Só quem não cumpre com os limites é que se insurge contra os mesmos. Na Europa o excesso de velocidade é levado a sério. Em Portugal também, mas tem de se ser consequente.

Se sabemos que temos um problema com o desenho da infraestrutura, se sabemos as causas e as soluções, então porque não se atua? Quantas mais pessoas vão ter de morrer ou ficar feridas para se atuar?

Precisamos, de facto, de humanizar as nossas Avenidas. Com a queda do BRT, como vai o Município começar a humanizar as nossas Avenidas?

A mobilidade induz-se, e é preciso centrar a mesma na vida das pessoas.

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