Vê se te avias!

Ninguém põe em causa a necessidade de pavimentar ruas, reparar passeios e melhorar as condições de circulação no concelho de Braga. Uma cidade com a dimensão e o crescimento de Braga precisa de manutenção regular e de investimento no espaço público. Tendo em conta a elevada pluviosidade que caracteriza a região, é perfeitamente razoável que muitas destas intervenções sejam programadas, sempre que possível, antes do período mais chuvoso do ano.

O problema não está, portanto, em fazer obras. Está na forma como são planeadas, calendarizadas e articuladas.

Uma obra pública não começa quando chegam as máquinas, mas no seu planeamento. Por conseguinte, há que antecipar impactos, definir prioridades, coordenar intervenções e, sobretudo, perceber como uma determinada obra interfere com a vida dos cidadãos.

Como sabemos, no início do ano letivo, o trânsito aumenta significativamente, sobretudo nas artérias envolventes aos grandes estabelecimentos de ensino. Há milhares de alunos, professores, funcionários e famílias a deslocarem-se diariamente, muitas vezes em horários concentrados, quer de automóvel quer de transportes públicos. Se, simultaneamente, se multiplicam obras, cortes de circulação, constrangimentos nos passeios e alterações de trânsito, o resultado previsível é o aumento do congestionamento e da dificuldade de circulação.

É claro que nem todas as obras podem ser executadas no verão. Há imprevistos, condicionantes técnicas, procedimentos administrativos e prazos que nem sempre dependem exclusivamente do município. Todavia, isso não pode servir de explicação para tudo. Quando se conhece antecipadamente o calendário escolar, as principais vias de circulação e os períodos de maior intensidade de tráfego, há margem para planear melhor. Uma cidade não pode ser gerida apenas obra a obra. Tem de ser pensada como um sistema.

Se é necessário reparar uma rua, importa perceber que outras intervenções estão a decorrer nas proximidades. Se uma artéria vai ficar condicionada, é preciso avaliar as alternativas disponíveis. Se uma obra afeta uma zona escolar, deve ser ponderado o seu calendário e, quando tecnicamente possível, antecipada ou faseada a intervenção.

Braga precisa de obras, sem dúvida, mas precisa também de uma gestão do espaço público que consiga conciliar a urgência da intervenção com a previsibilidade da vida quotidiana. Fazer é necessário, mas fazer bem exige planeamento. Um concelho que cresce como Braga não pode continuar a resolver os seus problemas de circulação depois de eles acontecerem.

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