A prevenção como pilar de uma política criminal municipal em Braga

Falar sobre segurança é falar da qualidade de vida de uma comunidade. É falar da liberdade de circular nas ruas, de utilizar os espaços públicos, de criar uma família e de investir numa cidade com confiança no futuro. Durante demasiado tempo, o debate político sobre segurança centrou-se quase exclusivamente na resposta à criminalidade depois de os problemas surgirem. Essa abordagem é insuficiente. Uma política criminal municipal moderna exige uma mudança de paradigma: prevenir deve ser a prioridade.

Embora a segurança interna seja uma competência do Estado, os municípios desempenham hoje um papel cada vez mais relevante na construção de comunidades mais seguras. Não lhes cabe substituir a Polícia de Segurança Pública ou a Guarda Nacional Republicana, mas têm o dever de criar condições para que estas forças possam exercer a sua missão de forma mais eficaz, próxima e articulada.

Isso exige um conhecimento rigoroso do território. É essencial identificar zonas mais vulneráveis, mapear fatores de risco, acompanhar fenómenos de exclusão social e compreender as dinâmicas urbanas que podem favorecer a criminalidade. A prevenção começa precisamente no diagnóstico, na antecipação e na capacidade de agir antes que os problemas se consolidem.

Mas prevenir vai muito além da presença policial. Faz-se através de um planeamento urbano inteligente, de uma iluminação pública adequada, da requalificação de espaços degradados, da valorização dos espaços verdes, da ocupação positiva do espaço público e de uma estratégia consistente de manutenção urbana. Uma cidade cuidada transmite segurança, promove civismo e desencoraja comportamentos desviantes.

A prevenção constrói-se igualmente com políticas sociais. Investir na educação, na ocupação saudável dos jovens, no desporto, na cultura, na habitação e na inclusão social é também investir na redução dos fatores que potenciam a criminalidade. Comunidades mais coesas são comunidades mais resilientes e mais seguras.

Braga é hoje uma cidade em forte crescimento. Atrai investimento, acolhe milhares de estudantes, recebe cada vez mais turistas e afirma-se como um importante centro económico e tecnológico. Este desenvolvimento representa uma enorme oportunidade, mas também traz novos desafios ao nível da segurança. 

Neste contexto, importa dotar o Município de instrumentos permanentes de diagnóstico e monitorização que permitam identificar tendências criminais, sinalizar zonas críticas e apoiar a definição de prioridades estratégicas em estreita articulação com as forças de segurança. As decisões públicas devem assentar em dados objetivos e não apenas em perceções ou em respostas motivadas pela pressão mediática.

A cooperação institucional deve ser reforçada. O Município pode e deve continuar a colaborar com o Estado na melhoria das condições de trabalho das forças de segurança, promovendo a requalificação de esquadras da PSP e postos da GNR através dos instrumentos de cooperação institucional já existentes. Investir em instalações dignas, modernas e funcionais é também investir na qualidade do serviço prestado aos cidadãos.

Importa igualmente avaliar, no respeito pelo quadro legal e pelas competências próprias do Estado em matéria de segurança interna, um eventual reforço dos meios e da capacidade operacional da Polícia Municipal no exercício das competências que a lei lhe atribui, potenciando a sua atuação nas áreas que lhe são próprias e aprofundando a cooperação operacional com a PSP e a GNR na proteção das comunidades locais, na fiscalização do espaço público e na promoção da tranquilidade urbana.

A participação dos cidadãos constitui outro elemento indispensável desta estratégia. A segurança não pode ser encarada como uma responsabilidade exclusiva das forças policiais. Exige proximidade entre instituições e população, canais eficazes de comunicação, envolvimento das associações locais, das escolas, das juntas de freguesia e de todos aqueles que diariamente contribuem para uma cidade mais segura.

Braga reúne todas as condições para afirmar um modelo de governação local assente na prevenção, na cooperação institucional e na proximidade com os cidadãos. Uma verdadeira política criminal municipal não se mede pelo número de detenções efetuadas, mas antes pela capacidade de evitar que os crimes aconteçam, de reduzir fatores de risco, de proteger pessoas e bens e de reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas. Prevenir é proteger pessoas, consolidar a confiança nas instituições e garantir que o crescimento da cidade seja acompanhado por uma efetiva melhoria da qualidade de vida. Esse deve ser o caminho de Braga. 

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