Em 1974 abrimos as portas da democracia, mas hoje, nós mulheres vemos as portas da segurança e do respeito fecharem-se dia após dia.
Os casos de violência doméstica, sexual, psicológica e o número de homicídios aumentam cada ano que passa.
A liberdade não é um conceito, é uma ferramenta que precisamos imperativamente de usar para eliminar preconceitos, julgamentos e violência. É a ferramenta que nos deram para dizer que o corpo de uma mulher não é território para debate político e que a sua autonomia é sagrada.
E não, ainda não sentimos a plena liberdade, porque a roupa que vestimos é motivo de condenação, julgamento e veredicto. Porque o nosso comportamento serve de atenuante para uma agressão e porque o medo é o nosso companheiro quando caminhamos sozinhas.
Festejar Abril tem que ser um compromisso. Um compromisso para combater o julgamento moral e os “comentários inocentes”. Um compromisso para terminar com o sentimento de impunidade. Um compromisso para a criação de mais apoios, de maior fomentação da literacia emocional (não só para entenderem a igualdade de género, os comportamentos adequados, como para as mulheres saberem os limites e o que é ou não aceitável), de maior divulgação e sensibilização.
A liberdade só será plena quando o medo terminar.
De nada servem as palavras e as celebrações, se as atitudes continuam as mesmas, se não existir responsabilização e se determinados comportamentos não forem punidos com penas muito mais pesadas.
O Cravo que devemos usar ao peito deve ser o do Respeito e Dignidade para todas as mulheres. Façam cumprir a verdadeira LIBERDADE para todas nós.